O dia em que vi pessoas lutando pela nação, clamando por paz e pelo fim da corrupção.

A postagem de hoje deveria ser sobre o ''look do dia'', assunto que vai ao ar toda terça feira. Confesso que me sentei para escrever, mas a indignação tomou conta e a inspiração sumiu. Não tenho coragem de falar sobre roupas e maquiagem numa data como essa. O país está um caos, é hora de sair do mundinho pink e começar a viver em um que é verde e amarelo. É hora de abrir a boca...

No sábado, dia 15/06/13, eu presenciei uma das cenas mais lindas e emocionantes da minha vida: 8.000 mil jovens de classe média engajados em uma só causa, lutar por seus direitos. A proposta era soltar aquilo que estava preso na garganta, gritar até perder a voz, ser finalmente escutado.

Todas essas pessoas estavam unidas a favor do país, lutando por causas que nem as afetam diretamente, como o caso do aumento da tarifa do transporte público, já que muitos daqueles manifestantes nem sequer utilizam ônibus ou metrô. Por isso eu ouso chamar este episódio em particular de 'manifestação do afeto', pois muitos lutavam para garantir não somente seus direitos, mas também o do próximo.


O movimento foi organizado através do Facebook e, desde as primeiras discussões, a paz já havia sido declarada. Foi um acordo unânime entre os participantes, naquele dia não haveria violência, estava decidido. Todos deveriam protestar sim, mas com respeito pelo próximo, pelo patrimônio público, por si mesmos e, inclusive, pela polícia. A proposta de Belo Horizonte era essa e, neste sábado, foi exatamente o que eu vi.


O que presenciei, e por isso acho que tenho toda autoridade para falar, é que os Belo-Horizontinos querem paz. Buscamos justiça, mas sempre clamando pela paz. Teve protesto contra o governo, a corrupção, o Estatuto do Nascituro, o aumento da passagem do transporte coletivo, a copa, a bancada evangélica e outras mil reclamações. E eu compartilho de todas essas indignações.
Neste dia eu não vi rostos tristes, eu não vi maldade. Tudo que senti foi uma energia muito boa, do tipo que contagia. Vi um grupo de jovens animados, com gás para lutar, com voz pra gritar e com muita, mas muita, esperança.

Gravei um vídeo mostrando toda a minha experiência nesta passeata. Alguns vão reclamar dizendo que não foi um protesto sério, porque as pessoas (inclusive eu em certos momentos) estavam sorrindo. Mas reforço a ideia de que, ao menos neste dia, a proposta de BH era essa mesmo, promover uma manifestação bonita, animada (inclusive com buzinas e tambores), respeitando o próximo e mantendo a paz.

Gravei um vídeo mostrando toda a minha experiência nesta passeata. Alguns vão reclamar dizendo que não foi um protesto sério, porque as pessoas (inclusive eu em certos momentos) estavam sorrindo. Mas reforço a ideia de que, ao menos neste dia, a proposta de BH era essa mesmo, promover uma manifestação bonita, animada (inclusive com buzinas e tambores), respeitando o próximo e mantendo a paz.
E foi isso que me comoveu. Aquela energia, o calor humano, a união e o desejo de mudança. Tudo isso contagiou, não somente a mim, mas também a muitas pessoas que estavam nas janelas apenas expectando, e que resolveram descer e se juntar a nós.

E é por isso que hoje, ao comparar o cenário da manifestação que eu participei com a que aconteceu ontem (17/06/13), não sou nem capaz de descrever a minha tristeza. Infelizmente tudo mudou. A força policial abusou, levando a relatos de vários feridos e uma possível morte. Eu continuo muito orgulhosa do meu país e dos meus companheiros de BH. Vejo que, mesmo com todo o abuso e violência, continuam todos firmes e fortes, esperançosos de um futuro mais digno e prontos para a próxima.

Infelizmente ainda não temos informações confiáveis sobre o estado das pessoas encurraladas na UFMG (estou escrevendo de madrugada) e por isso fico aqui na angústia, apenas imaginando e torcendo para que o pior não aconteça. Mas, apesar de tudo que houve na 2ª manifestação, a minha certeza fica, não foi em vão! A luta continua, e eu faço questão de fazer parte dela!
#WakeUpBrazil!
[Fotos: Caio Vinícius Reis de Carvalho]





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